quarta-feira, 18 de novembro de 2009

WOJTYLA SANTO: CARDEAIS DECIDEM NESTA SEMANA

Papa Woityla "santo já": esta terça-feira foi um dia decisivo. Na manhã de ontem, os cardeais e bispos membros da Congregação para as Causas dos Santos se reuniram no Vaticano, chamados a discutir e depois expressar-se com um voto sobre o processo de beatificação de João Paulo II.

A reportagem é do jornal italiano Il Giornale, 17-11-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O êxito dessas reuniões nunca pode ser considerado como dado. Sempre são possíveis surpresas de última hora, como já ocorreu no começo do ano, quando a causa foi examinada por teólogos peritos, e foi necessário um segundo exame, não porque houvesse dúvidas sobre a santidade pessoal do Papa polonês, mas porque foram pedidas mais informações.

Porém, tudo deixa entrever que o êxito será positivo, e que os cardeais e bispos membros daquela que foi definida como "a fábrica dos santos" se pronunciarão favoravelmente depois de ter discutido entre si. Se assim for, a Congregação para as Causas dos Santos colocará o seu selo final sobre o processo, declarando-se favorável à proclamação da "heroicidade das virtudes" do Papa Wojtyla, o passo final que precede a beatificação verdadeira. Uma proclamação que, lembremos, para se tornar efetiva terá que ser aprovada e expressamente autorizada por Bento XVI, quando o prefeito da Congregação vaticana, o arcebispo Angelo Amato, irá em audiência apresentar-lhe os decretos preparados nos últimos meses. Audiência que se prevê que ocorra antes do final do ano.

Se a decisão de hoje for, como previsto, positiva, até o final de 2009 haverá a assinatura de Ratzinger sobre o decreto que proclama a heroicidade das virtudes do seu antecessor. Nesse ponto, faltará só a aprovação do milagre atribuído à intercessão de Karol Wojtyla, uma das muitas curas prodigiosas indicadas depois da sua morte por pessoas que haviam se dirigido a ele. A escolha do postulador da causa de beatificação, o prelado de origem polonesa Slawomir Oder, caiu sobre o caso da Irmã Marie Simon-Pierre, afligida pelo mal de Parkinson que quase lhe impedia de trabalhar na repartição da maternidade de um hospital francês, curada de repente e inexplicavelmente depois que suas coirmãs haviam rezado ao Pontífice recém falecido.

Ainda é prematuro imaginar datas para a beatificação, que ocorrerá com toda a probabilidade em Roma, em 2010, em maio ou em outubro. Prevê-se a chegada na capital italiana de centenas de milhares de peregrinos devotos de João Paulo II. Bento XVI, poucas semanas depois de sua eleição, acolhendo um pedido que lhe foi apresentado pelo Vigário de Roma, o cardeal Camillo Ruini, consentiu em anular a espera dos cinco anos após a morte que a lei canônica estabelece como necessários antes de iniciar um processo de beatificação e tornou possível assim o início imediato da causa, como já havia acontecido, alguns anos antes, com Madre Teresa de Calcutá. O trabalho foi rapidíssimo. Foram recolhidos e verbalizados os testemunhos, foram catalogados muitos documentos. Nos últimos meses, os teólogos examinaram a volumosa "Positio" e deram parecer favorável. Depois do verão [europeu], todos os documentos foram repassados para as mãos dos cardeais e bispos da Congregação para as Causas dos Santos, que nesta terça-feira se pronunciam a respeito.

Há dois anos, o mesmo grupo de cardeais e bispos disse "sim" com unanimidade à causa de Pio XII, mas Bento XVI ainda não promulgou o decreto sobre a heroicidade das virtudes de Eugenio Pacelli, à espera da abertura dos arquivos vaticanos relativos a esse pontificado. Abertura que, espera-se, poderá tranquilizar o clima do debate historiográfico sobre a atitude da Igreja diante do Holocausto. Enquanto, isso as causas de beatificação de Paulo VI e João Paulo I, certamente mais lentamente do que aquela do Papa Wojtyla, continuam indo em frente.

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