Passa por ser o ‘enfant terrible’ da Igreja católica. Mas, neste casp, Hans Küng, está de acordo com ela, ao menos em parte. O teólogo suíço, uma das vozes mais prestigiosas do catolicismo, critica a recente sentença de Estrasburgo contra a presença da cruz nas escolas públicas. Na sua opinião, “a Corte europeia não pode legislar sobre essas questões, porque é atribuição própria dos Estados legislar sobre esta matéria”. Porque, para os europeus, a cruz nas escolas “não é uma ofensa”, e querer eliminá-la é sinal de um “radicalismo laicista”.
A reportagem é de José Manuel Vidal e está publicada no sítio espanhol Periodista Digital, 16-11-2009. A tradução é do Cepat.
Em uma entrevista a Francesco Comina da revista italiana Il Fatto Quotidiano, o teólogo suíço assegura que “a cruz é essencial no cristianismo, é uma espécie de vida, de esperança e de alegria”. Mas, imediatamente depois reconhece que, ao longo da História, “foi brandida como arma e utilizada como um instrumento de condenação dos hereges. Nem sempre foi um sinal de bênção”.
Daí que também compreenda aqueles que “manifestam dúvidas ou aversão em relação à cruz exposta nas escolas”. De qualquer forma, para Küng, a solução para o problema dos crucifixos em lugares públicos não passa “pelo radicalismo laicista”.
Com a mesma liberdade com que defende a cruz, o teólogo critica o Papa, seu antigo companheiro na Universidade de Tubingen. E, enquanto Bento XVI pronunciava hoje mesmo [ontem] um discurso na FAO em chave moral, o professor Küng aponta soluções concretas. “O problema da fome se combate com uma política de controle de nascimentos. A pílula é um instrumento eficaz para evitar o colapso da população. A Igreja católica não pode seguir demonizando os métodos anticoncepcionais”.
Também não compartilha a postura do catolicismo sobre a eutanásia. Na sua opinião, “a responsabilidade individual é algo que também é preciso levar em conta no que chamamos de ‘dignidade de morrer’”. E acrescenta: “É uma questão delicada, porque se entrelaça com um elemento existencial e profundo, que pode ser sintetizado assim: ‘como quero morrer?’. Mors certa, hora incerta. Sabemos que chegará a morte, mas não sabemos quando”. E conclui: “Sobre estes temas as ideologias são perniciosas”.
Contrariamente ao Vaticano, Küng sustenta que a Igreja católica não pode se apresentar como se fosse “a única Igreja perfeita”, e reprova no Papa a sua atitude de “defesa do status quo” diante de alguns dos problemas centrais eclesiais, como “o papel da mulher, dos leigos ou o celibato dos padres”. E sentencia: “Creio que Jesus teria sérias dificuldades para entender o aparelho eclesiástico atual.


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