sexta-feira, 5 de março de 2010

TRABALHO ESCRAVO: AUMENTO DE CASOS NO SUDESTE EXPRESSA MAIOR FISCALIZAÇÃO

Com o aumento da fiscalização na região sudeste, os agentes do Ministério Público do Trabalho (MTE) comprovaram que os canaviais são locais realmente propícios para a prática de trabalho análogo à escravidão. Durante o ano de 2009, 37% dos registros do MTE se refere à região, com 1.582 trabalhadores libertados dessa condição. Em 2008, foram registrados 24 casos desse tipo e, em 2007, 14 casos.

coordenador da campanha nacional de combate ao trabalho escravo, Frei Xavier Plassat, explica que o aumento se deu em razão de uma atenção maior ao setor canavieiro pelo grupo móvel de fiscalização e pelas superintendências regionais.
"Essa atividade costuma recrutar mão-de-obra em regiões afastadas, ou seja, de uma população migrante, longe de suas referências de origem e, portanto, mais exposta a situações de exploração. Ora, quando se fiscaliza um canavial, não costumam encontrar cinco, 15 pessoas, mas 50, 150 ou mil pessoas."

No início deste ano, a Cosan, conseguiu retirar seu nome da "lista suja", mesmo após ter sido comprovada o uso de mão-de-obra escrava na unidade de Igarapava (SP). Na época, a maior sucroalcooleira do país contou com o apoio do Ministério da Agricultura ao alegar que a culpa era da prestadora de serviços, José Luiz Bispo Colheita - ME.

"A gente sabe que existe contradições dentro do governo em relação ao combate do trabalho escravo. Uns consideram que no agronegócio tudo é permitido - pois contribui com a balança comercial do país, já outros consideram que não tem heroísmo em práticas criminosas."

Aline Scarso
Fonte: Radioagência NP

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