sábado, 13 de março de 2010

ABOLIR O CELIBATO EM 50 ANOS. O PROJETO SECRETO DO VATICANO

“O celibato é um dom de Deus”, afirma o cardeal Hummes, prefeito da Congregação para o Clero. Uma regra que “de nenhum modo foi colocada em dúvida” pelo arcebispo de Viena, acrescenta o cardeal austríaco Sconbom, precisando as próprias declarações feitas 24 horas antes, nas quais parecia afirmar que os abusos sexuais dos padres na Alemanha e Áustria fossem causados pelo celibato eclesiástico.

A Igreja fecha o cerco em torno de um tema delicadíssimo, o celibato, temendo não ser compreendida num dos seus pontos cardeais e atacada de maneira instrumental.

A reportagem é de Marco Ansaldo e publicada pelo jornal La Repubblica, 12-03-2010.

No entanto, há mais tempo, e não tendo relação com os últimos episódios ligados aos fatos denunciados também na Irlanda, o Vaticano iniciou uma séria reflexão sobre o celibato.

Segundo informações colhidas pelo jornal La Repubblica, a Igreja está pensando, num futuro que se mede em décadas, de poder, eventualmente, abolir a regra do celibato para os padres. O percurso, e o estudo, secretíssimo, teria sido confiado a alguns altos representantes da Congregação para o Clero, liderada por D. Cláudio Hummes, Naturalmente, o passo do Vaticano sobre este ponto central é prudente, e as fontes falam, inclusive, da possibilidade de uma mudança, “daqui a 50 anos”. Enfim, tudo mostra que a Santa Sé está começando a refletir sobre o que poderia ser uma verdadeira revolução.

É claro que a Igreja, sobretudo hoje quando todos os refletores da mídia internacional estão focados nos casos de pedofilia e violências descobertas em sequência, tem enormes dificuldades de admitir publicamente esta possibilidade. Mas o germe parece que foi lançado, e as primeiras pesquisas estão sendo feitas.

A Congregação para o Clero, há meses, preparou uma conferência de dois dias, iniciada ontem, na Universidade Lateranense, e com muito público, sob o título “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. Entre os conferencistas, entre outros, estão William J. Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Carlo Cafarra, arcebispo de Bolonha, Leo Burke, prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, Antonio Cañizares Llovera, prefeito do Culto Divino. Alguns deles abordaram o tema “da beleza e da importância do sacerdócio”, como afirmou o bispo de Petrópolis, RJ, Filippo Santoro.

Muitos recordam a afirmação de D. Cláudio Hummes, quando assumiu o cargo de prefeito da Congregação para o Clero, em 2006: “O celibato não é um dogma”. Ontem, depois da sua conferência, ele saiu do evento e não encontrou os jornalistas.

Durante o evento, o bispo de Regensburg, Gerhard Müller, atacou a ministra alemã, a liberal Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, que acusou o Vaticano de ter obstaculizado as investigações sobre os abusos sexuais, pedindo uma indenização para as vítimas.

O bispo disse:
"A nossa ministra da Justiça pertence à União humanística, uma espécie de “maçonaria que considera normal a pedofilia e quer despenalizá-la. Esta senhora nos critica, enquanto deveria criticar a sua própria ideologia”.

Por sua vez, Leo Burke, afirmou que o escândalo da pedofilia deverá ser resolvido no âmbito do direito canônico.

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