Já iniciamos trabalhos do 1° Congresso Arquidiocesano de Leigos, aberto no dia 25 de janeiro passado. Agora é tempo de conhecer a proposta, de se organizar para participar, sobretudo nas bases, nas paróquias, comunidades, associações, pastorais, movimentos, comunidades novas e outros grupos e organizações dos leigos. É bom estudar bem a Convocação do Congresso e seu Regulamento, que já estão ao alcance de todos.É desejável que o Congresso envolva amplamente o laicato, mas também o clero e os religiosos, os teólogos, pastoralistas, professores e estudantes de teologia, suscitando em todos uma nova consciência sobre a condição eclesial do leigo, sua dignidade e sua participação na vida e na missão na Igreja, da qual ele é parte ativa e co-responsável, e não apenas “destinatário”. Como fruto do Congresso, com a graça de Deus, esperamos um despertar de muitas iniciativas novas de formação, organização e atuação missionária do laicato na Igreja e na cidade de São Paulo. De fato, para sermos uma “Igreja discípula e missionária de Jesus Cristo na cidade de São Paulo” (10º Plano de Pastoral), a participação generosa e dinâmica do laicato é indispensável.
O Congresso, sobretudo na sua etapa inicial, durante todo o primeiro semestre, será uma ocasião única para retomar a formação dos leigos; trata-se de uma iniciativa da Igreja, através da Arquidiocese de São Paulo, e seria uma pena perder essa ocasião, ou desviar suas finalidades para outras metas, que não sejam as propostas. Na formação dos leigos, é importante ir direto aos grandes textos referenciais do Magistério da Igreja sobre os leigos, como os do Concílio Vaticano II. A Lumen Gentium fala sobre a participação dos leigos na vida e missão da Igreja em vários parágrafos essenciais; a Apostolicam Actuositatem trata mais propriamente da ação apostólica dos leigos. Mas não poderia ficar de lado a extraordinária Exortação Apostólica Christifideles laici, de João Paulo II, após o Sínodo sobre os Leigos; é um texto essencial para a compreensão da vida e da missão dos leigos na Igreja. E não faltam Documentos e estudos da CNBB sobre o mesmo tema.
A Igreja na América Latina e no Caribe, através do Documento de Aparecida, convoca todos os cristãos e seus filhos a serem mais e melhor “discípulos missionários de Jesus Cristo”, para que, nele, nossos povos tenham vida em abundância. Ao longo de todo o Documento de Aparecida, os leigos encontrarão material farto para a sua formação e para reavivar as motivações de sua fé, a alegria de serem cristãos e de pertencerem à Igreja Católica. De maneira toda especial, eles são chamados a serem sal da terra, fermento na massa e luz do mundo, para que a riqueza e a força transformadora do Evangelho chegue à vida das pessoas e penetre todos os espaços e expressões da organização da sociedade. O Doc. de Aparecida, citando Puebla (n. 786), de maneira bonita, diz que os leigos são “homens da Igreja no coração do mundo e homens do mundo no coração da Igreja” (DAp. 209). Convido, pois, todos os leigos a retomarem sua formação, para serem homens e mulheres da metrópole paulistana no coração de nossa Igreja, e homens e mulheres da nossa Igreja no coração desta cidade imensa!
É sumamente desejável e necessária uma nova geração de leigos, bem preparados para atuarem em todos os campos da vida social e cultural da sociedade; leigos e leigas com a consciência clara de serem discípulos de Cristo, conhecedores da fé, da moral e da doutrina social da Igreja, capazes de tomarem posição, como cidadãos católicos, sem medo de assumirem sua identidade e sua adesão à Igreja no mundo pluralista, no qual vivemos; este, não deve ser o espaço onde nós calamos nossa voz ou escondemos nosso testemunho, só porque existem vozes e testemunhos diferentes; no espaço plural e democrático, todos podem afirmar e defender suas convicções e colocá-las a serviço da convivência social. E temos a compartilhar com a sociedade coisas boas, construtivas e dignificantes! Fossem coisas ruins, deveríamos calar e envergonhar-nos delas; mas temos “Boas Novas” a compartilhar! Os católicos leigos não deveriam, simplesmente, amoldar-se ao “pensamento corrente”, mas ser capazes de oferecer sua contribuição para enriquecer o horizonte do pensamento, da cultura e das decisões que norteiam a vida social, através de sua postura coerente com o ensinamento da Igreja. Mas, para isso, é preciso conhecer e formar-se na mística da fé e da adesão a Cristo e à Igreja. É preciso, antes de tudo, ser discípulos de Cristo; só isso torna possível também sermos seus missionários no meio do mundo.
Formar bem os leigos é missão pastoral primordial da Igreja. A valente geração dos leigos preparados pela Ação Católica está se extinguindo e sentimos falta de uma nova geração de leigos corajosos e apostólicos. Leigos bem preparados, competentes nas coisas do mundo, mas vibrantes de fé e amor a Deus, com todas as suas capacidades humanas e cristãs, eles serão os grandes missionários do Evangelho no meio do mundo, em todos os âmbitos da convivência e da atuação da sociedade. Faço votos que o Congresso leve a isso. Semeamos na esperança. Os frutos virão no futuro, tenho a certeza!
FONTE: SITÍO CNBB


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