Começa assim: "Pai, quero te agradecer por estarmos aqui." Estamos aqui e não em outro lugar, aqui nesta sala, neste espaço de governo, em Brasília. É preciso agradecer, é preciso dizer obrigado. Não são todos que têm esta oportunidade: capital federal, espaço público, reconhecimento, boas relações e contatos, acesso livre, licitações correndo. Como não agradecer e mais agradecer?
É preciso reconhecer, na humildade: "Sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos." Não podemos tudo, sem Ti não podemos nada. Somos pequenos, nosso alcance é limitado. Afinal, temos braços, pernas, cabelos, olhos para enxergar, cabeça para pensar, mais isso não é tudo. Os bolsos são pequenos, não cabe tudo.
É preciso pensar nos que nos cercam. "Somos gratos pela vida do Durval, por ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração." Que seria de nós se não fôssemos amparados, se não houvesse quem se dispusesse a nos ajudar, a estar a nosso serviço! Nossas vidas e essa cidade não existem sem seus benfeitores, sem seus colaboradores, sem seus anjos benvindos e generosos que nos dão sacolas e pacotes, benefícios e ajutórios.
Afinal, "tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham armas para nos ajudar nesta guerra." A vida não é fácil, há sempre quem queira nos prejudicar, queira nos denunciar, falar mal dos nossos atos. É preciso preservar os homens bons, os melhores dos melhores, protegê-los, garantir sua vida e integridade.
Nunca se sabe. "Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha." Por isso, nossa fé está acima de tudo. Não há quem nos possa derrubar. Ninguém vai nos delatar, ou nos prender. O Senhor está do nosso lado, sempre, dentro e fora da cadeia.
Confiamos no Senhor. "O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer." O bom caminho do Senhor nos protege, assim como nossa disposição de cuidar dos nossos bolsos e do nosso bem-estar. Com ajuda do Senhor, portas se abrem, consciências tornam-se generosas, cofres se escancaram para o nosso bem e o bem do Senhor.
Não há o que temer. "A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer." A justiça humana poderá não estar do nosso lado. Ou estará. Mas a justiça divina vale muito mais. O Senhor está acima de tudo, do julgamento dos homens, da verdade da imprensa, da denúncia vazia.
Só precisamos, finalmente, de uma coisa. "Nós precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares." Ele é nosso protetor e anjo da guarda. Ele faz o que o Senhor quer. Ele é nosso refúgio e salva-vidas. Ele é nossa riqueza e segurança. São Durval, rogai por nós.
O abraço dos deputados distritais de Brasília em oração pedindo a bênção para a corrupção vai entrar para a história. Nunca se viu tanta desfaçatez, achincalhe. Nunca montanhas de dinheiro passearam tão livremente por bolsos, sacolas, meias, gavetas oficiais, dentro e fora das roupas. Nunca o nome do Senhor foi usado em vão de forma tão transparente e sem pudor.
Que dizer da política? Que dizer do bem comum, do que é todos e a serviço de todos deveria estar?
Talvez seja o caso de proclamar: "Ai de vós ricos, porque já tendes a vossa consolação. Ai de vós que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós os que agora rides, porque lamentareis e chorareis" (Lc 6, 24-25). Quem solapa os bens do povo, quem vilipendia os mais pobres, quem debocha com os impostos dos outros, quem faz escárnio com o dinheiro de quem mais precisa, não terá consolação, nem humana, muito menos divina. Arderá no fogo da vergonha pública e do desprezo.
A Justiça tarda, mas não falha.
Selvino Heck - Assessor Especial do Presidente da República do Brasil. Da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política


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