quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

UM BREVE ESTUDO DA INVEJA E CIÚME–PARTE II

Nesta segunda parte do nosso estudo queremos trazer como é vista a inveja e o ciúme dentro de uma experiência religiosa. Não precisamos ir muito longe. Na Bíblia, mais especificamente no cap.4 do Gênesis encontramos a narração do fratricídio acontecido entre Caim e Abel. Motivo: inveja.

Na história de Caim e Abel, Deus pediu aos dois irmãos que oferecessem sacrifícios. Abel, que cuidava das ovelhas, “ofereceu as primícias e a gordura de seu rebanho”(Gen.4,4), que era o melhor que possuía. Caim, que era lavrador, trouxe “produtos do solo”(Gen 4,3), restos sem valor". Então Deus “agradou-se de Abel e de sua oferenda, mas não se agradou de Caim e de sua oferenda”.(Gen4, 4-5), o que deixou Caim profundamente irritado. Deus tentou explicar-lhe: “Se estivesses bem-disposto, não levantarias a cabeça? Mas, se não estás bem-disposto, não jaz o pecado à porta como um animal acuado que espreita; Podes acaso domina-lo?”(Gen 4,7).

Caim sentiu ciúmes porque Abel foi mais generoso com Deus do que ele. Invejou não um objeto de Abel, mas algo mais que subjetivo, a sua generosidade que não foi capaz de encontrar em si mesmo para melhor agradar a Deus. Detestou a bondade de Abel, o que o fazia sentir muito mal consigo mesmo. Irou-se tanto, adoeceu tanto que sua ira levou a cometer o primeiro homicídio (um fratricídio) da História segundo a versão bíblica. A inveja foi a causa do assassinato.

Querendo saber onde estava Abel, Caim respondeu a Deus com uma pergunta: “acaso sou guarda de meu irmão?” Sem apresentar sentimento de culpa, Caim parecia satisfeito por eliminar a fonte de sua vergonha e baixa estima. Desvinculava-se de qualquer compromisso ético ou moral em relação a Deus e ao próximo apenas preocupado em eliminar o que ele supunha ser a causa do seu sofrimento: o seu irmão. Caim pensava aliviar o sofrimento eliminando o próprio irmão. E a Bíblia de forma muito sábia nos mostra qual é o objetivo da inveja: o invejoso procura eliminar eliminar o outro porque esse outro tem a qualidade que ele gostaria de ter e não tem. Muitas vezes o sofrimento psíquico e o aniquilamento espiritual é tão intenso que o invejoso passa a agir de forma contrária: negando o sentimento de inveja que sente em relação ao outro, mediante mecanismos de defesa de negação e projeção ele constrói uma situação fantasiosa na qual o outro é que o inveja. Muitas vezes, funciona e ele consegue aliviar seu sofrimento psíquico sem se dar conta dos estragos que pode estar provocando na vida dos outros.

O Psicólogo e Professor do Centro de Estudos de Biociências da UFRN, Juarez Castro enumera uma séria de situações de relacionamento entre as pessoas em que a inveja se manifesta claramente:

1.Existe o invejoso aniquilador e esse diz logo a que veio; destruir você no primeiro round, sem dó nem piedade;
2.Existe o oposto desse, que ao contrário, se aproxima de você como uma hiena faminta, porém sutil; Tem o tipo gentil que engana bem. Ri de todas as bobagens que você fala, faz questão de ser seu “amigo”e elogiar as coisas mais absurdas e estúpidas que você possa dizer ou fazer, enquanto afia suas garras sem nenhum ruído para enfiá-las em você, no momento certo e quando menos você espera.
3.Existe aquele que surge de repente, muito embora já estivesse lhe sondando há séculos! É aquele que sabe tudo sobre você, se brincar, mais do que você sabe sobre você mesmo.
4. Existe aquele com quem você cruza somente eventualmente, mas que lhe espreita à distancia, há muito tempo, e quando lhe vê imagina consigo mesmo “eu ainda chego lá também. Me aguarde...” mesmo que, aonde você vá seja o pior lugar do mundo. O que ele quer é competir com você por uma questão de necessidade que vai além da inveja. Digamos que esse tipo possa até apresentar algum grau de psicopatia e achar que o que faz é correto;
5. E existe aquele que quer ser você em tudo? Já se deparou com o tipo? Então se prepare que vai encontrar um dia. Se ele ou ela pudesse, teria até o teu nome ao contrário, para quando chamar repetidas vezes sem parar, soar exatamente igual. Sabe aquela brincadeirinha boba de dizer “você amo...” repetidas vezes e terminar dizendo “amo você”? É exatamente isso. Esse tipo quer ser você de qualquer jeito. E o perigo reside em tudo que diz respeito a você. Ele se aproxima da tua família, dos teus amigos, procura um trabalho parecido só pra freqüentar o mesmo ambiente;
6. Existe um tipo parecido com esse, que quer ser você, mas não se aproxima. Ao contrário, ele tenta te personificar, ou seja, ser igual a você em tudo. Usa as mesmas roupas que você, compra o mesmo carro e até o mesmo perfume. Freqüenta os mesmos ambientes. Tudo isso a guardando uma certa distância. Faz amizade com os teus amigos até chegar ao ponto que as pessoas começam a desconfiar que quem tem inveja dele é você. Aí já é tarde. Até que você consiga provar que é o contrário, irão achar você a mais ridícula das pessoas! Se você faz terapia , você pode até parar na terapia para poder justificar a você mesmo que você é você e não ele e, correr o risco de ouvir o terapeuta te dizer “Você sofre de inveja”, ou então deixar o próprio terapeuta no divã, com síndrome da dúvida. Que arma poderosa a tal de inveja, não?

Até aqui pudemos entender que a inveja é uma forma destrutiva de raiva e que leva o invejoso a buscar eliminar o outro na forma simbólica ou mesmo física como no exemplo bíblico de Caim e Abel. A qualidade do outro lhe faz mal e para o invejoso é preciso eliminá-lo, de qualquer forma.

A inveja é uma tentativa de esconder a vergonha por alguma coisa que ele é e não gostaria de ser. Ou de outra forma a inveja pode aparecer como uma forma de destruir no outro aquilo de bom que ele gostaria de ser mas não consegue.

A inveja não atrai nada de bom, é um sentimento que paralisa potenciais no invejoso que postos em pratica, se sentiria tão bem sucedido como aquele que é objeto dos seus sentimentos hostis. É isso mesmo: inveja é hostilidade, desejo de vingança, de destruição. É desrespeito a Deus , a si próprio e aos outros. A inveja pode desaparecer se o invejoso entender que, se ele se preparar, reconhecer a sua inferioridade não como vergonha mas como uma referência dos pontos fracos que precisam ser corrigidos.Só assim ele poderá amadurecer emocional e espiritualmente e um dia vir a se emocionar com o sucesso pelo mérito da sua luta e se sentir vitorioso ao lado dos vitoriosos.

José Bressanin - Psicólogo CRP 06/38629-0 - Conselho Regional de Psicologia - SP

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Um comentário:

Anônimo disse...

Bom meu nome é Jocilea, sou casada, tenho um filho que vai fazer 2 anos, e cheguei da alemanha a quase um ano.
Há 2 meses atrás minha vida tomou um outro rumo, não o rumo em que eu e o meu marido tinhamos planejado, de turbulencias que passamos e ainda estamos passando.
E u estava proucurando na internet, aonde na Biblia diz sobre inveja de irmaos, foi aí que encontrei sua materia e a li com muita atenção.
Ela é muito forte, e importante para cada dia que vivemos, ela nos traz transparencia da vida como ela realmente é.
E quem quiser fazer parte dela tem que saber dançar a musica de Deus.

Parabéns
jocilea@gmx.de