quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

UM BREVE ESTUDO SOBRE A INVEJA E O CIÚME PARTE I

Bem amigos, estaremos publicando neste blog três breves estudos que, temos certeza, é de interesse de todos. Esses estudos tratarão de uma tentativa de entendimento de dois sentimentos que estão mais presentes do que se pensa no nosso quotidiano trazendo conseqüências negativas no relacionamento humano: a inveja e o ciúme.

Até pela negatividade que esses sentimentos despertam em todos nós, eles são como que esquecidos, afastados das nossas discussões do dia a dia disfarçados muitas vezes sob a forma de explicações irracionais. Só lembramos deles de fato, quando somos, vítimas desses sentimentos que fogem muito do nosso controle porque sua fonte está fora do nosso controle, no coração de pessoas que já desenvolveram formas as mais variadas de atingir suas vítimas. Ou seja, o invejoso está menos interessado em entender a inveja muito menos que o invejado.

As vítimas, na maioria das vezes, estão despreparadas para enfrentar essas artimanhas e por estarem despreparadas, colocam em ação defesas as mais variadas como por exemplo, tratar desses sentimentos no campo do sobrenatural, obra do diabo, olho ruim, mau olhado, etc. Queremos encorajar o leitor a pensar conosco sobre esses sentimentos que de nobre não tem nada, pois são capazes de realizar verdadeiros estragos nas relações humanas e, pior que isso, não acontecem apenas entre inimigos, mas sobretudo entre pessoas que muitas vezes estão muitos próximas uma das outras.

Inicialmente vamos enfocar mais a inveja.
Ao longo da história da humanidade o tema inveja despertou o interesse de várias áreas de conhecimento. Na religião por exemplo ela faz parte dos sete pecados capitais, ao lado da gula, luxúria, avareza, etc. Na psicologia, Freud e Melanie Klein dedicaram um bom espaço nas suas pesquisas, amplificando o seu sentido e suas conseqüências dentro do estudo da subjetividade humana. Para esses dois “tops” da Psicanálise, inveja e ciúme são sentimentos resultantes de conflitos infantis não devidamente resolvidos, e portanto próprios da personalidade imatura. Queremos no entanto alertar que não há pessoas especiais isentas desses sentimentos negativos. A diferença entre um indivíduo e outro está exatamente na forma com que cada um lida com a inveja e o ciúme.

Em termos de Psicologia, as contribuições de Freud e Melanie Klein ajudam a entendermos mais porque a inveja e o ciúme incomodam tanto. Perguntamos, porque então o ciúme e a inveja são sentimentos tão fortes que fogem da nossa capacidade racional de entendimento e controle, chegando a paralisar o indivíduo diante do invejoso e do ciumento? A resposta encontrada tanto em Freud como em Melanie Klein, é a de que inveja e ciúme remontam a estágios muito primitivos do nosso desenvolvimento emocional, quando ainda ensaiávamos os primeiros passos, etapas iniciais da nossa existência onde a razão ainda não servia ainda como meio de discernimento e julgamento para avaliação e tomada de decisões corretas quanto a sentimentos, principalmente os sentimentos negativos, os desejos de ataque, a raiva, etc..

Portanto, inveja e ciúme estão relacionados a sentimentos muito infantis não amadurecidos que se afloram no funcionamento do ego de um indivíduo adulto imaturo, e que por ser imaturo permite que o indivíduo seja tomado por esses sentimentos. Levado às suas últimas conseqüências, para os psicanalistas como Freud e Melanie Klein, inveja e ciúme passam a representar patologias que vão além de simples estados de consciência, sentimento e afeto, para se constituir distúrbios emocionais que devem ser tratados.

Por hoje ficamos por aqui. Nas próximas publicações estaremos falando da inveja dentro da visão religiosa como se apresenta na Bíblia. Estaremos falando também do ciúme e em outra publicação tentaremos estabelecer uma relação entre a inveja e o ciúme. Quais as diferenças entre um e outro? O que é pior a inveja ou o ciúme?

Agradecemos ao Psicólogo José Bressanin - CRP 06/38629-0 - Conselho Regional de Psicologia - SP

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