segunda-feira, 16 de novembro de 2009

IRMÃ GERALDINHA É AMEAÇADA DE MORTE, EM MINAS GERAIS

Uma mulher jurada de morte. Assim está a vida da irmã Geralda Magela da Fonseca, de 47 anos, a irmã Geraldinha, uma religiosa franzina da congregação Romana de São domingos, de olhar cativante e determinada na luta pelos direitos das famílias que integram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Desde o último final de semana, a freira, que defende a punho forte a desapropriação de uma fazenda em Salto da Divisa, no Vale do Jequitinhonha, vive escondida. Segundo ela, desde o ano passado, as ameaças aumentaram, o que fez com que, agora, a religiosa abandonasse o local.

A reportagem é de Richard Lanza e Hellem Malta e publicada pelo jornal Super Notícia, 06-11-2009.

Em umas das últimas ligações recebidas pela freira, na semana passada, ainda em Salto da Divisa, uma pessoa a ameaçou de morte. "Eles disseram que vou pagar por tudo que eles estão passando. O homem falou que, se eu passasse em frente à casa dele, levaria um tiro na cara", contou assustada a religiosa.

Pessoas ligadas à irmã Geraldinha, disseram que as ameaças estariam partindo de proprietários da Fazenda Monte Cristo - imóvel considerado improdutivo, que não cumpre sua função social, pelo Incra e, segundo o órgão, em fase de desapropriação. Porém, o Ministério Público, que investiga o caso, não confirmou a informação.

Um dos membros da família proprietária da fazenda, o prefeito de Salto da Divisa, Ronaldo Cunha, foi procurado pela reportagem. Até o fechamento desta edição, ele não havia se pronunciado.

Desde agosto de 2006, um outro terreno, próximo à fazenda Monte Cristo, está ocupado por dezenas de integrantes do MST. "É um terreno que também pertence aos proprietários da fazenda. Foi uma maneira que achamos para estarmos próximos e reivindicar a desocupação", disse a freira.

Irmã Geraldinha está amparada pelo Programa Nacional de proteção aos defensores dos Direitos Humanos, pelas polícias Civil e Militar, e pelo Ministério Público.

Emoção

Irmã Geraldinha emocionou-se ao lembrar do assassinato da irmã Dorothy Stang, aos 73 anos, em fevereiro de 2005. A religiosa que lutava em defesa dos direitos dos trabalhadores rurais, foi morta a tiros em Anapu (PA). Um fazendeiro, suspeito do crime, foi absolvido pela Justiça. "Irmã Dorothy é um exemplo a ser seguido. Ela nunca se intimidou", disse a religiosa.

85 famílias Sem Terra estão acampadas à espera da desapropriação da Fazenda Monte Cristo

Segundo frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra, irmã Geraldinha também auxilia 11 famílias de posseiros da fazenda Monte Cristo que adquiram, na Justiça, a posse de parte do imóvel. “As ameaças se intensificaram quando ela começou a auxiliar essas famílias.”

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia vai criar um projeto-piloto para o Programa Nacional dos Protetores dos Direitos Humanos. “O objetivo é manter a pessoa ameaçada na sua localidade, com segurança”, disse o deputado Durval Ângelo (PT).

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