segunda-feira, 19 de abril de 2010

A FRAGILIZAÇÃO DO IMAGINÁRIO DA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Os movimentos sociais precisam “resgatar o imaginário de que Brasil queremos ter para as próximas gerações”, afirma Silvio Caccia Bava, coordenador geral do Instituto Polis, para que os movimentos sociais voltem a recuperar a capacidade de discutir projetos de mudanças, em entrevista concedida à revista IHU On-Line.

Segundo ele, os movimentos sociais “precisam resgatar o imaginário de que Brasil queremos ter no futuro. Ninguém luta sem ter um objetivo para alcançar. Nos momentos mais duros, durante a ditadura, por que teve gente que se dispôs, inclusive, a correr risco de vida para procurar transformar o país? Porque acreditava na possibilidade de que esse país fosse diferente, fosse mais solidário, menos desigual, mais sustentável ambientalmente. Enfim, tem todo um conjunto de bandeiras que continuam valendo, ainda mais hoje, com essas questões do aquecimento global. Não tenha dúvida que as chuvas que caíram no Rio de Janeiro e em São Paulo são efeitos do aquecimento global. Esses temas irão ganhar relevância. Mas o fato de terem morrido mais de duzentas pessoas no Rio de Janeiro nos últimos dias não está fazendo a população se mobilizar e pressionar o governo por políticas que façam frente a esse tipo de desastre”.

Caccia Bava constata que há “uma espécie de fragmentação dos movimentos. Há uma dificuldade de defender propostas de transformação social. Mesmo movimentos sociais como o MST - que tem continuado a desenvolver essa capacidade de pressão, mas também negocia, tem algum financiamento para os assentamentos, mas continua fazendo as ocupações. Mesmo o MST não foi capaz de se contrapor à força do agronegócio, que acabou paralisando o projeto da reforma agrária. Então, temos também, dentro do MST, uma fragilização grande nesse sentido, de que as grandes aspirações por transformações sociais foram se reduzindo e, hoje, praticamente, a reforma agrária está paralisada. O que temos são as políticas de transferência de renda e políticas sociais sendo estendidas para os assentamentos”.

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