domingo, 7 de março de 2010

WOJTYLA BEATO: O MILAGRE QUE NÃO DEU CERTO

A irmã Marie Simon-Pierri (foto), religiosa escolhida como milagre-símbolo do Papa Wojtyla, não parece ter voltado totalmente à saúde. O mal de Parkinson que a havia atingido não a abandonou totalmente. E a beatificação de João Paulo II, agora, corre o risco de ser adiada. Há a necessidade, talvez, de uma outra cura entre as tantas realizadas pelo pontífice polonês para que ele seja elevado ao império dos beatos.

No Vaticano, desmente-se oficialmente a informação: "Notícias sem fundamento", dizem fontes autorizadas. Mas a Comissão Médica encarregada de investigar a correção procedimental da causa teria pedido à Postulação que apresentasse um outro milagre. A escolha, nesse caso, não seria difícil. Segundo o que Stanislaw Dziwisz, ex-secretário particular de João Paulo II, hoje arcebispo de Cracóvia, revelou, são 251 casos de milagres a serem selecionados. Tudo isso, porém, poderia atrasar a data de beatificação que, com muita probabilidade, não será mais – como indicado por alguns – no dia 16 de outubro, depois do anúncio da Santa Sé de seis canonizações em São Pedro para o dia seguinte, dia 17 de outubro.

O pedido de mudar o milagre sobre o qual a Comissão Médica deverá se expressar teria sido, enquanto isso, comunicada ao postulador, Mons. Slawomir Oder, autor de um recente livro ("Perché è santo" [Por que é santo], com Saverio Gaeta, Ed. Rizzoli), para que o processo possa avançar rapidamente. Antes, entretanto, um tribunal diocesano deverá se expressar sobre um novo milagre. Só então a Comissão Médica poderá se reunir. E o problema poderia voltar com o exame da Congregação para as Causas dos Santos até o início do verão europeu.

O novo caso surgiu quando um jornal polonês, Rzeczpospolita, deu vida, em um artigo, ao turbilhão de vozes que giravam na Polônia há pelo menos 15 dias. Isto é, de que a causa de beatificação de João Paulo II poderia sofrer um atraso por causa da cura não total da religiosa. Segundo o jornal, a irmã Marie Simon-Pierre poderia até sofrer não de Parkinson, que é incurável, mas de uma doença análoga do sistema nervoso, que, pelo contrário, é curável. O jornal cita a propósito o parecer de um neurologista polonês, o professor Grzegorz Opala.

Nos Palácios Sagrados, prevalece a opinião de que o exame do milagre da religiosa se encontre, na realidade, ainda na fase inicial. Os peritos deverão se remeter à Comissão Médica, que, depois da Páscoa, irão se pronunciar enviando o seu parecer aos teólogos e, destes, aos cardeais. Depois, a decisão final de Bento XVI. Oficialmente, o milagre ainda está "sub judice", sob o segredo instrutório, e é portanto prematuro falar de aprovação ou fracasso. "Além disso – acrescentam fontes na Cúria – a Congregação para as Causas dos Santos ainda não o analisou sob o perfil oficial".

Uma reunião da Consulta Médica está prevista para as próximas semanas. Agora, se procederá a uma verificação sobre as efetivas condições da irmã de 48 anos, escolhida porque sofria da mesma doença do Papa e, aparentemente, foi curada dois meses depois da morte do Pontífice. Mas a perplexidade expressada pelos meios de comunicação poloneses logo rebateram na Itália, colocando em ansiedade o povo de Wojtyla que se reuniu na sua morte com gritos de "santo já".

Sobre a memória de Wojtyla, está se desenvolvendo há muito tempo um confronto aceso dentro da Igreja. Último capítulo: as críticas que investiram sobre o postulador, Mons. Oder, quando revelou no livro que João Paulo II costumava se flagelar. Detalhes que alguns dos mais estreitos colaboradores do Papa polonês prefeririam que não fossem difundidos, não deixando de contestar as afirmações.

Se agora o caso da irmã Marie Simon-Pierre for descartado, o padre Oder deverá indicar um outro milagre. Os casos não faltam. Será apenas questão de escolher o mais adaptado.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 05-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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