quarta-feira, 31 de março de 2010

O GOLPE CONTRA A CLASSE TRABALHADORA

Completa 46 anos neste 31 de março de 2010 o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e instalou uma ditadura militar no Brasil a partir de abril de 1964.

Em junho de 1964, os militares promulgaram a Lei de Greve, que criou tantas exigências formais que tornaram praticamente impossível deflagrar qualquer greve. Pouco depois o governo acabou com a estabilidade no emprego, que o trabalhador conquistava após dez anos de serviço na mesma empresa, e instituiu o FGTS. A medida facilitou demissões e permitiu a altíssima rotatividade no emprego que existe até hoje.

Digite aqui o resto do post Para completar o ataque contra os trabalhadores, a ditadura instituiu uma política salarial que proibia reposições de perdas, abonos, antecipações e aumentos reais. Era permitido apenas um reajuste a cada dois anos, sobre a média salarial dos 24 meses anteriores. Em cima dessa média era aplicado a inflação e a produtividade previstas pelo governo, com índices muito inferiores aos reais.

O regime militar institucionalizou assim o “arrocho salarial”. Segundo dados oficiais, entre 1968 e 1975 a produtividade cresceu 25%, quando, na realidade, foi 60%. A manipulação da inflação no mesmo período foi ainda maior. A inflação atingiu 111%, de acordo com o governo, e 210% na verdade.

Com essas medidas, a ditadura lançou as base do “milagre econômico” que chegaria três anos depois. O “arrocho salarial” aumentava os lucros das empresas por meio da compressão dos salários. A Lei de Greve impedia que os trabalhadores utilizassem seu melhor instrumento de luta – a greve -- contra a superexploração patronal. A cadeia e a tortura desestimulavam manifestações.

A reportagem é do portal do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, 30-03-2010.

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