Desde 1910 que o dia 8 de março não é uma data qualquer no calendário das feministas. Com a Declaração do Dia Internacional da Mulher, o 8 de março passou a ser uma data para celebrar lutas e conquistas de mulheres de todo o mundo. Para dar visibilidade a essas lutas e reivindicar transformações nas vidas das mulheres brasileiras, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) lançou no dia 8, em Campinas (SP), a 3ª Ação Internacional da MMM, que percorrerá dez cidades paulistas até o dia 18 de março.A expectativa é que 3.000 mulheres de todo o país participem da caminhada que irá de Campinas a São Paulo. Com o lema "Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres", a ação passará pelas cidades de: Valinhos, Louveira, Jundiaí, Várzea, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco.
De acordo com Tica Moreno, da coordenação executiva da MMM no Brasil, a ação começará na tarde de hoje com um ato no Largo do Rosário, em Campinas. De lá, as participantes já caminharão até o alojamento, de onde sairão amanhã em marcha até a cidade de Valinhos.
Durante os dez dias, as participantes marcharão no turno da manhã e participarão de atividades de formação no período da tarde, como debates e painéis temáticos sobre economia solidária feminista; sexualidade, autonomia e liberdade; mulheres indígenas; mercantilização do corpo e da vida das mulheres; entre outros.
A ação contará ainda com a presença da feminista brasileira radicada na França, Helena Hirata, quem discutirá, no dia 11, em Louveira, sobre o trabalho das mulheres e autonomia econômica. No dia 16, em Perus, as marchantes terão a oportunidade de debater sobre paz e desmilitarização com Aleida Guevara, médica cubana e filha de Che Guevara.
Outro destaque na programação será o lançamento de um livro histórico sobre o dia 8 de março, que acontecerá em Várzea, no dia 13. Em cada cidade, as mulheres realizarão panfletagens e outras ações para chamar atenção da população local. O encerramento da marcha será no dia 18 de março, quando as feministas promoverão um ato público na Praça Charles Miller, em São Paulo.
Para Tica Moreno, a marcha é uma forma de dar continuidade à luta das mulheres. "Os cem anos da proposta da declaração do Dia Internacional da Mulher afirma que as mulheres já se constituíram como movimento organizado e ainda têm muito que lutar", afirma, destacando que as mulheres ainda enfrentam o machismo, a exploração do trabalho feminino e a mercantilização do corpo e da vida.
As reivindicações das marchantes estão fundamentadas em quatro campos de ação mundial: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos; paz e desmilitarização; e violência contra as mulheres. Esses campos também servirão de base para as demandas das brasileiras.
De acordo com Tica, a MMM apresentará ao Governo uma plataforma de reivindicações, entre as quais se destacam: direito à previdência universal, realização da reforma agrária, investimento nas mulheres produtoras, cumprimento da Lei Maria da Penha e legalização do aborto. A questão internacional também estará presente nas demandas das feministas. Pedirão, por exemplo, ao Governo brasileiro a retirada das tropas do Haiti e prestarão solidariedade à população haitiana.
A marcha no Brasil faz parte da 3ª Ação Internacional da MMM, que terá atividades ao longo do ano em várias partes do mundo, como na Colômbia, nas Filipinas e na Turquia. O encerramento da Ação será marcado por uma mobilização internacional para fortalecer o protagonismo das mulheres na resolução de conflitos armados, marcado para acontecer entre os dias 7 e 17 de outubro na República Democrática do Congo.
Mais informações sobre a Ação Internacional 2010 no Brasil e a programação da marcha estão disponíveis em: http://www.sof.org.br/acao2010/
Karol Assunção - Jornalista da Adital


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