A questão do celibato será discutida hoje e amanhã, em Roma, na Universidade Lateranense, num congresso promovido pela Congregação para o Clero.
A notícia é de Marco Ansaldo e publicada pelo jornal La Repubblica, 11-03-2010.
Estará presente no evento o cardeal Cláudio Hummes, autor de uma declaração, logo depois que assumiu o cargo de prefeito da Congregação para o Clero, que suscitou alguma perplexidade: “O celibato não é um dogma”, afirmou. Uma tese que nunca mais depois repetiu publicamente. Estará presente também o bispo de Regensburg, Gerhard, o primeiro que falou dos casos ocorridos nesta cidade alemã, e uma série de expoentes do mundo eclesiástico.
O tema das violências nas igrejas e sacristias, tema dos jornais dos últimos tempos, também está conquistando espaço na imprensa vaticana. O L’Osservatore Romano de ontem tratou do problema na primeira página com um artigo da ensaísta Lucetta Scaraffia. Uma presença maior da presença feminina na Igreja, é a tese da estudiosa, “poderia ter levantado o véu de cumplicidade masculina que muitas vezes cobriu com o silêncio a denúncia dos abusos”. “As mudanças das sociedades ocidentais – continua a historiadora – que abriram às mulheres espaços antes reservados aos homens, mudanças que estão influenciando outras culturas do mundo, provocaram uma revolução na configuração dos papéis sexuais, pondo também para a Igreja católica a questão de ampliar o papel das mulheres”. Um problema que se coloca não somente em termos de “iguais oportunidades”, mas de “fazer frutificar as energias e as contribuições que são de importância fundamental”.
Hoje os bispos alemães viajam para Roma. O encontro da delegação, guiada pelo presidente da Conferência Episcopal, Robert Zollitsch, e o Papa Bento XVI, está previsto para acontecer amanhã, dia 12. Na pauta o enorme dossier dos casos de pedofilia que emergiram na Igreja alemã. Na Alemanha, o escândalo chegou a envolver, segundo os dados até agora conhecidos, 19 das 27 dioceses alemãs.


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