Se os adultos não resolvem os problemas do mundo, que resolvam os jovens. É com essa mentalidade que cerca de 1.500 jovens aspirantes à líder global participam da conferência “Um Mundo Jovem” (One Young World, em inglês), que termina nesta quarta-feira (10), em Londres.
A conferência tem por objetivo reunir jovens de todos os cantos do planeta para que debatam sobre os principais problemas que afligem o mundo como o meio-ambiente, diálogo entre religiões, a globalização, o poder da mídia, saúde e pobreza. Durante os três dias de eventos, são realizadas sessões plenárias e palestras comandadas por líderes mundiais adultos. Entre os que passaram pelo evento, estão o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz, o economista bengalês Muhammad Yunus, Prêmio Nobel de Economia, o prefeito de Londres, Boris Johnson, o ex-presidente do Peru Alejandro Toledo e o músico irlandês Bob Geldof, entre outros..
Apelidada pela mídia internacional de “Jovem Davos” –uma referência ao Fórum Econômico Mundial, realizado nos Alpes suíços–, o encontro reúne pessoas com menos de 25 anos de 192 países diferentes, segundo a organização. Há, entretanto, “jovens” com mais de 25 anos.
“A transformação social, ao longo da história, é sempre promovida pelos jovens. Somos nós que não nos acomodamos com as circunstâncias consolidadas pelo desenrolar do processo humano e movimentamos o mundo em busca do progresso. As gerações antigas falharam em diversos pontos. E cabe a nós buscar novas soluções, novas idéias, enfim, oxigenar o mundo”, afirma o estudante de direito Rodrigo Augusto Leal da Silva, 20, de São Paulo, um dos 16 “delegados” brasileiros que, segundo a organização, participam da conferência.
Para outro participante brasileiro, o médico Guilherme Lopes Pinheiro Martins, 26 anos, de Campinas, ouvir personalidades internacionais mais “maduras” ajuda os jovens a pensar em um outro mundo. “Não estamos aqui para resolver os problemas do mundo, mas criar uma consciência mais humana e aprender com as experiências que muitos já tiveram”, afirma.
Sobre o rótulo de “líder mundial” dado pela própria organização, Martins acredita que o que fará dele um líder serão sua atitudes futuras. “Uma coisa que eles têm frisado aqui é que alguns serão grandes lideres, mas o fato de apenas participar do evento não te faz um líder do amanhã. Acho que me considero um aprendiz e estou aproveitando cada minuto das discussões. Agora, se vou ser um líder ou não, vai depender das minhas atitudes e das consequências que elas trarão para um futuro. Mas, com certeza, não vai ser apenas o evento que vai transformar seus participantes em grandes lideres”, analisa.
Já Leal da Silva prefere adotar uma outra definição de líder. “A questão da liderança é relativa. Muitos só consideram líderes aqueles que sobrevivem a grandes tragédias, como genocídios e terremotos. Líderes são aqueles que transformam positivamente a sua comunidade, as pessoas ao seu redor, portanto me considero, sim, um líder”, declara.
Os dois brasileiros entrevistados pelo UOL Notícias via e-mail foram convidados pela agência de marketing Euro RSCG, uma das organizadoras do evento e que possuí uma filial no Brasil. “Houve uma indicação por parte da Euro Brasil, sendo que após a indicação houve um processo seletivo no qual nosso perfil foi avaliado. Entrei com o processo em agosto 2009 e recebi o convite oficial apenas em dezembro de 2009”, conta Martins.
Pouco destaque à América Latina
Ao ser questionado sobre o que os jovens do mundo pensam do Brasil, Martins afirma que o evento tem pecado em dar pouco destaque à América Latina. “Até agora foi dado muito pouca ênfase para a América Latina como um todo. Conversando informalmente com alguns participantes, muitos têm uma boa imagem de nosso país, mas muitos estrangeiros sabem falar apenas em Ronaldo [jogador de futebol] e Carnaval, o que é uma pena. Apesar de que eu me surpreendi com muitos que também conseguem levar uma conversa de bom nível sobre o nosso pais”, conta.
Para Leal da Silva, alguns participantes têm comentado que esperam bastante do Brasil como um líder regional e integrante do Bric - acrônimo para Brasil, Rússia, Índia e China, as virtuais futuras potências emergentes mundiais.
Tradução: Movimento
Fonte: Site da UOL


Nenhum comentário:
Postar um comentário