quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ATO EM SÃO PAULO EXIGE LIBERTAÇÃO DE PRESOS POLÍTICOS DO MST

A manifestação aconteceu às 19h desta quarta, 10, na Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito da USP

O Comitê Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais realiza nesta quarta-feira, 10, às 19h, na Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), localizada no Largo São Francisco, centro da capital paulista, um ato contra a criminalização dos movimentos sociais. A manifestação exigirá a libertação dos trabalhadores rurais ligados ao MST, presos em uma operação da polícia civil, no último dia 26, em Iaras, no interior de São Paulo.

Os ativistas sociais foram presos como retaliação a ocupação da Fazenda Santo Henrique, localizada no município de Borebi, próximo a Iaras, na região de Bauru. A propriedade, que pertence ao governo, foi invadida pela Cutrale, transnacional de industrialização de suco de laranja, que utiliza ilegalmente essas terras até hoje.

Em outubro do ano passado, o Jornal Nacional, da Rede Globo, veiculou imagens de destruição de um laranjal da fazenda, mas nãoo informou aos telespectadores que as terras pertencem a União e que, portanto, a Cutrale era a invasora da área. A matéria repercutiu negativamente contra o MST e na sequência foram expedidos mandados de prisão contra lideranças do movimento.

A elite não aceita a hipótese de os pobres se organizarem. E o MST está atuando nas questões estruturais do paí­s, como o combate a pobreza e a conquista da cidadania, afirma o padre Antonio Naves, da CPT (Comissão Pastoral da Terra), uma das entidades que organiza o ato. Segundo ele, a CPT vê com preocupação os ataques contra os lutadores sociais que estão sendo desferidos pelo governo estadual.

Paulo Cesar Pedrini, coordenador da Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo, outra entidade envolvida na organização do evento, também acredita que esteja ocorrendo a criminalização dos pobres que lutam.

Pedrini não isenta de responsabilidade, no entanto, o governo federal. Acha lamentável que isso ocorra em um governo efetivamente eleito com grande participação dos movimentos sociais, que agora são perseguidos, critica.

Para o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) a prisão dos militantes sem terra faz parte de uma estratégia do governo estadual de criminalização daqueles que lutam por justiça social. Serra criminaliza aquilo que considera como inimigo. Por isso, quer caracterizar o MST como uma organização criminosa. Quer mostrar para a população que esses trabalhadores são ladrões de equipamentos da Cutrale, por exemplo, frisa.

Marisa de Fátima da Luz, da direção nacional do MST, destaca a truculência da ação policial contra os trabalhadores rurais. O Movimento teve dificuldade, inclusive, para ter acesso ao nome dos outros militantes que têm mandados de prisão expedidos contra eles. Estamos sentindo na pele, mas contamos com muitos apoios da sociedade para denunciar essa criminalização, enfatiza.

Por Lúcia Rodrigues
www.carosamigos.com.br

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