O liturgista chefe do Papa, Monsenhor Guido Marini (na foto, ao lado do Papa Bento XVI) defendeu os pedidos na Igreja por uma “reforma da reforma” da liturgia católica."Há alguns anos, diversas vozes foram ouvidas dentro dos círculos da Igreja que falam sobre a necessidade de uma nova renovação litúrgica", disse Marini.Um novo movimento de renovação seria "capaz de realizar uma reforma da reforma, ou, pelo contrário, dar um passo a mais em direção ao entendimento do autêntico espírito da liturgia e de sua celebração", disse.
A reportagem é de Matthew Gamber, publicada nos sítios Catholic News Service e National Catholic Reporter, 07-01-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Marini, que atua como mestre das cerimônias litúrgicas papais desde o final de 2007, falou no dia 06 de janeiro em uma conferência para padres dos países de fala inglesa reunidos em Roma para marcar o Ano Sacerdotal. A conferência foi promovida pela Australian Confraternity of Catholic Clergy e pela Confraternity of Catholic Clergy, com sede nos EUA.
O liturgista papal disse que o objetivo do novo movimento de reforma "seria dar continuidade à providencial reforma da liturgia que os padres conciliares lançaram", mas que "nem sempre, em sua implementação prática, encontrou um cumprimento oportuno e feliz".
Marini afirmou que a liturgia celebrada pela Igreja deveria ser marcada pela continuidade histórica. "Eu uso propositalmente a palavra continuidade, uma palavra muito cara ao nosso Santo Padre atual", disse Marini. "Ele fez dela o único critério autoritativo por meio do qual se pode interpretar corretamente a vida da Igreja".
Marini disse que uma apreciação de continuidade iria ajudar a reunir escolas divergentes de pensamento com relação à liturgia. "A liturgia não pode e não deve ser uma oportunidade de conflito entre aqueles que acham bom apenas aquilo que veio antes de nós, e aqueles que, pelo contrário, quase sempre acham errado aquilo que veio antes", explicou.
O caminho para qualquer renovação litúrgica é "considerar tanto a liturgia presente da Igreja quanto a passada como um patrimônio em contínuo desenvolvimento", disse.
Ele ofereceu algumas sugestões para mostrar continuidade na liturgia e deu exemplos a partir das celebrações litúrgicas papais atuais.
A tradição de rezar voltados para o Leste, e assim simbolicamente voltados para o Senhor, é agora contemplado com a colocação de um crucifixo no altar da Basílica de São Pedro, afirmou. "Essa é a razão da proposta feita pelo então cardeal Ratzinger e atualmente reafirmada durante o curso de seu pontificado de se colocar um crucifixo sobre o centro do altar, de forma que todos, durante a celebração da liturgia, possam concretamente estar voltados e olhar para o Senhor, de forma a orientar também suas orações e corações", comentou.
Uma ênfase renovada na "adoração", explicada por Marini como "união com Deus", também irá alimentar a continuidade com o passado e poderia ser um critério para as práticas litúrgicas futuras, afirmou. Tudo na liturgia deve conduzir à adoração, disse Marini, incluindo a música, o canto, os momentos de silêncio, a forma de proclamar as Escrituras, assim como as vestes litúrgicas e os utensílios sagrados.
Ele disse que foi esse mesmo desejo de renovar o sentido da adoração que levou o Papa Bento XVI a tornar norma nas liturgias papais o gesto de o Papa distribuir a Comunhão na língua dos fiéis ajoelhados.
"Pelo exemplo dessa ação, o Santo Padre nos convida a tornar visível a atitude apropriada de adoração diante da grandeza do mistério da presença eucarística do nosso Senhor", disse Marini. Ele afirmou que a mesma atitude de adoração "deve ser fomentada acima de tudo quando nos aproximamos da Santíssima Eucaristia de outras formas permitidas hoje".
Ao longo de sua fala, Marini citou extensivamente os escritos do Papa Bento XVI que se referem à liturgia. "Eu aprendi a aprofundar o meu conhecimento nesses últimos dois anos ao serviço do nosso Santo Padre, Bento XVI. Ele é um autêntico mestre do espírito da liturgia, seja pelo seu ensinamento, quanto pelo exemplo que ele dá na celebração dos ritos sagrados", disse Marini.


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