Economia, derivado dos termos gregos oikos (casa) nomos (mais que lei, refere-se ao cuidado) quer significar os cuidados necessários para organizar a casa, utilizando os recursos (in puts), que são escassos, para gerar bens e serviços (out puts), que se traduzem em maior bem estar à sociedade.
Entretanto, como os recursos são escassos (recursos naturais, trabalho, capital), a análise econômica é pautada pela decisão e escolha, diante de incertezas e riscos. No que tange a saúde, a sustentabilidade desta “casa” dependerá de análises dos custos e benefícios, pois a escolha de determinada alternativa traduzir-se-á, diante da escassez, numa redução dos recursos aplicados a outro tipo de intervenção ou programa. É o custo de oportunidade da escolha.
Os custos nas análises de economia da saúde referem-se a todos os recursos consumidos durante o tratamento de determinada doença. Entretanto, a princípio, pensamos em relacionar a esses somente àqueles diretamente ligados aos cuidados médicos dos pacientes. Pesquisas mostram, todavia, papel fundamental que tem os custos indiretos no total dos custos envolvidos no tratamento da saúde.
Vejamos abaixo uma divisão dos custos:
1. CUSTOS DIRETOS: são os insumos relacionados diretamente ao tratamento, ou seja, relacionados diretamente aos serviços de saúde, que implicam dispêndios imediatos, de identificação objetiva, correspondendo aos cuidados médicos e não médicos.
1.1. CUSTOS DIRETOS MÉDICOS: são aqueles utilizados para prestar diretamente o tratamento. Exemplos: medicamentos, monitoramento de medicamentos, administração de medicamentos, aconselhamento e consultas com pacientes, exames diagnósticos, hospitalizações, atendimento ambulatorial, atendimento no setor de emergência, atendimentos médicos domiciliares, serviços de ambulância, serviços de enfermagem. Dos custos diretos médicos, a internação tem papel fundamental, atingindo cerca de 30% dos custos diretos médicos.
1.2. CUSTOS DIRETOS NÃO MÉDICOS: são custos dos pacientes e famílias que estão associados ao tratamento, mas que são de natureza não médica. Exemplo: custos de transporte para recebimento da assistência à saúde (ônibus, gasolina, taxi, etc), assistência não médica relacionada às condições de saúde (entrega de refeições no domicílio, serviços domésticos), pernoites em hotéis, pousadas durante a assistência a pacientes e família de fora da cidade, adaptações domiciliares provenientes da doença, custo de ida e volta ao hospital, clínica, ambulatório entre outros.
2. CUSTOS INDIRETOS: são os que resultam em perda de produtividade em virtude de doença ou morte. Paralelamente, temos os benefícios indiretos a esses, que são as economias atribuíveis em diminuir os custos indiretos, isto é, as intervenções ou programas que resultam em redução da perda de produtividades. A estes custos estão relacionados os dias de trabalho perdidos (para o paciente e para os acompanhantes), a incapacidade de realizar a atividade profissional, o tempo de viagem gasto para realizar o tratamento médico, a morte prematura decorrente da doença. Também associamos aqui os gastos governamentais como: aposentadoria prematura, licenças médicas, entre outros. Em algumas análises, os custos indiretos chegam a 87% dos custos totais do tratamento. E quanto mais jovem é o paciente, maiores são os custos indiretos para a sociedade.
3. CUSTOS INTANGÍVEIS: uma categoria de custos pouco medidos ainda são os custos intangíveis. Estes se referem aos custos psicológicos da doença (ansiedade e depressão), custo psicológico associado à perda de trabalho ou incapacidade de trabalhar, da dependência física, do isolamento social, dos conflitos familiares, da dor, da alteração de suas atividades da vida diária, da piora da qualidade de vida. São os custos psicológicos resultantes dos preconceitos por seqüelas deixadas pelas doenças. De um modo geral são custos que reduzem a qualidade de vida dos pacientes: dor e sofrimento, fadiga e ansiedade, desconforto e náusea. Ainda pouco mensuráveis monetariamente, mas como são muito importantes para os pacientes, precisam de significação econômica.
A mensuração dos custos é necessária a fim de gerar análises que contraponham intervenções médicas e programas que geram de um lado redução dos custos e, de outro, de fundamental importância, a cura da doença ou o aumento da qualidade de vida ajustada à sobrevida dos pacientes (QALY - Quality Adjusted Life Years). Aqui, mostram-se pertinentes as análises de custo-efetividade, custo-benefício e custo-utilidade, necessárias para a sustentabilidade do sistema de saúde, gestando novas alternativas de saúde que gerem qualidade de vida aos pacientes, igualdade no acesso aos serviços e qualidade dos serviços prestados.
Alex de Souza Rossi - Secretário Geral do CNLB Sul 1
Economista penapolense, mestre em Desenvolvimento Econômico,
Responsável pelo Núcleo de Economia em Saúde
do Hospital do Câncer de Barretos – Fundação Pio XII
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