CUSTOS INDIRETOS
Estudos evidenciam o papel fundamental dos custos indiretos na análise de economia da saúde. Esses são relativos à perda da capacidade produtiva do indivíduo ante o processo de adoecimento ou mortalidade precoce.
VARIÁVEIS
As variáveis com as quais podemos medi-los são a aposentadoria precoce, as licenças de saúde, faltas no trabalho, redução da produção e perda de capacidade do paciente, incapacidade de realizar a atividade profissional, o tempo de viagem gasto para a realização do tratamento (que, consequentemente, traduzir-se-á em diminuição de horas trabalhadas), transferência de emprego, desemprego devido à doença. Essas e outras são variáveis geradoras dos custos indiretos. Salienta-se que a perda de capacidade de produção de acompanhantes e familiares, devido à doença de determinada pessoa, também podem ser mensurados, pois, no conjunto, são impactantes para a renda familiar e Produto Interno Bruto (PIB)da sociedade.
MAS COMO MENSURAR OS CUSTOS INDIRETOS?
1. Human Capital Approach: A abordagem do capital humano, que é geralmente a mais utilizada, analise a perda de produtividade e o impacto para a sociedade desta redução, tomando por base a morbidade, incapacidade produtiva e a mortalidade prematura. Estima para tanto, o valor presente das rendas futuras perdidas por causa da doença até o momento em que, teoricamente, os indivíduos teriam capacidade produtiva e continuariam com suas contribuições tanto produtivas quanto previdenciárias. Entretanto, como erro, podemos dizer que esta teoria não leva em consideração a possibilidade de acidentes, mortes ou outras eventualidades que reduziriam o “tempo de trabalho” do indivíduo.
2. Willingness Approach: A abordagem da disposição a pagar mensura quanto a pessoa está disposta a pagar para reduzir o efeito de um desfecho da doença adverso à saúde. Para medi-la, contrapõem-se os benefícios trazidos por determinada intervenção e a disposição máxima a pagar pelo paciente. Ou seja, mensura o quanto o indivíduo estaria disposto a pagar por uma medida que reduza a probabilidade de sua morte ou doença. Tal abordagem é bastante utilizada na Inglaterra, EUA e Austrália. Do ponto de vista econômico, mede renda versus utilidade. Entretanto, há que se considerar que a disposição a pagar está muito relacionada ao nível de renda de determinado indivíduo ou sociedade. No Brasil, grande parte da população escolhe o tratamento de mais baixo custo. Existem também medidas preventivas para evitar exposição ao risco ou mitigar efeitos da doença. O investimento nas mesmas são uma proxy da disposição a pagar.
3. Friction Approach: Esta abordagem é uma melhoria da teoria do capital humano. Transforma a perda corrente em medida do potencial do valor da produção perdida. Entretanto, diferentemente da teoria do capital humano, esta teoria mede a perda da produção de determinado paciente até o momento em que outro trabalhador o substituiu em seu posto no mercado de trabalho, incluindo aqui os custos com a contratação e o treinamento da nova pessoa para a função. Ou seja, tal teoria, do ponto de vista econômico, leva em consideração que a economia não está sistematicamente trabalhando em pleno emprego dos fatores e que, portanto, é comum no sistema econômico a capacidade ociosa e o desemprego. Certamente, os custos indiretos medidos por essa teoria serão proporcionalmente menores que os relativos à teoria do capital humano.
QUAL O SIGNIFICADO DA MEDIDA DOS CUSTOS INDIRETOS?
A mensuração dos custos indiretos é essencial para as avaliações econômicas da saúde, na perspectiva tanto do indivíduo, quanto da sociedade, pois o indivíduo doente pode trazer ao sistema econômico perda de capacidade produtiva, aumento dos gastos públicos com aposentadorias e licenças.
Os custos indiretos são, em grande parte dos casos, o maior custo da doença. E quanto mais jovem é o paciente, maiores serão esses custos. Alguns estudos apontam que 85% dos custos da doença referem-se aos custos indiretos.
Assim, formas preventivas ou alternativas de programas, ações ou projetos que trazem benefícios indiretos, são objeto salutar de política e gestão no campo da saúde.
Alex de Souza Rossi
Secretário Geral do CNLB Sul I,
Economista responsável pelo Núcleo de Economia em Saúde
do Hospital do Câncer de Barretos – Fundação Pio XII
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