O teólogo jesuíta José María Díez-Alegría morreu na madrugada de hoje, em Madrid, aos 98 anos.
Muito crítico da hierarquia oficial da Igreja, Díez-Alegría trabalhou ativamente com o Padre Llanos no Pozo del Tío Raimundo, uma dos bairros mais pobres de Madrid. Santo e importante testemunho para gerações de católicos espanhóis, manteve até o fim o seu profundo senso de humor, que o levou a escrever livros como “Teologia en broma y en serio”. Foi um pioneiro e uma referência no pós-concílio na Espanha.
Teólogo, douto em Direito e em Filosofia, alguns dos seus livros, abertamente críticos da hierarquia oficial da Igreja, que censurava por sua aproximação com o capitalismo e seu afastamento dos pobres, provocaram a sua saída da Companhia de Jesus, que abandonou em 1975. Mas não totalmente. Para escândalo de seus irmãos, um, chefe do Alto Estado Maior do Exército espanhol e, outro, diretor da Guarda Civil.
Sua obra mais polêmica foi “Eu creio na esperança”, editada em 1972 e que vendeu mais de 200 mil exemplares.
Autor da frase “Deus não crê no Vaticano”, sua denúncia da atuação da Igreja lhe valeu acusações de pró-marxista. Nos anos 1970 e 1980 trabalhou ativamente com o Padre Llanos e outros jesuítas na periferia de Madrid, especialmente em Pozo del Tío Raimundo.
Por elogiar Marx e criticar o Vaticano se converteu num “num jesuíta sem documentos”, como ele se auto proclamava. Um mito para alguns e um sacerdote maldito para outros.
Sempre manteve excelente senso de humor como bandeira: “É preciso confiar em Deus e rir-se de si mesmo”. Fé, humor e esperança foram sempre os fundamentos da sua vida.
A notícia é do sítio Religión Digital, 25-06-2010.
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